A população e o programa de coleta seletiva

Muitas pessoas se perguntam qual é o papel que deveriam ter frente a coleta seletiva.
Se recordarmos de nosso post anterior onde falamos da cor correta das lixeiras para coleta seletiva, vamos relembrar que a participação dos voluntários é primordial para o avanço deste importante processo para a cidade.

Alguns condomínios buscam convênios com associações de catadores de papel e disponibilizam lixeiras para os seus condôminos fazerem a separação adequada do lixos, porém, a adesão de uma maneira geral é muito inferior ao percentual adequado para fazer uma grande diferença.

São poucas e insuficientes as iniciativas governamentais para o incentivo da coleta seletiva e reciclagem, grandes iniciativas se dão com a mobilização da sociedade civil e também dos grupos organizados de catadores de papel que hoje tem cooperativas de reciclagem, sendo responsáveis diretos pelo grosso do que o Brasil consegue reciclar, por isso conseguimos índices muito bons em alguns campos, por exemplo, 47% do que se fabrica em PET é reciclado no Brasil, por ser um elemento rentável aos elementos que fazem reciclagem e de fácil separação a via econômica propicia este índice muito interessante.

Já em outro campo importante que é do lixo orgânico, apenas 3% é reciclado, isso é a média brasileira. Estados como Minas Gerais chegam a ter 4% apenas da sua massa de lixo orgânico reciclado, isso é um número muito, mas muito baixo mesmo.
Qual a explicação? da diferença de 10x? O lixo orgânico não gera renda direta e por isso não desperta tanto interesse o que demonstra quem realmente move a reciclagem neste país.

Um outro produto com bons índices de reciclagem é o vidro, as garrafas de vidro tem cerca de 45% de reciclagem, é um índice médio em comparação com outros países de maior tradição, porém mais uma vez quem manda é a via financeira, quando era criança e acho que isso ainda existe, sempre passava um “garrafeiro” que trocava garrafas por pintinhos… naquela época a reciclagem já gerava uma boa renda para alguns.

Os campeões de reciclagem no Brasil são as latas de alumínio, fator muito interessante, pois, é o elemento que mais paga bem. Para quem não sabe a liga alumínio necessita de altas doses de energia para sua fabricação o que torna seu custo altíssimo e por isso a reciclagem poupa muita energia aos fabricantes e gera uma cadeia de renda muito interessante. Nosso índice de reciclagem em latas de alumínio chega a incríveis 92%, até porque a população já sabe do valor das latinhas e colabora e muito para sua reciclagem.

Logo após o índice do alumínio vem o papelão, tradicional resíduo reciclável que continua rendendo “bastante” a quem recolhe. O volume de papelão reciclado chega a 77% um ótima média.

Todos esses números não seriam possíveis sem os catadores de papel que organizados em suas cooperativas fazem um trabalho incrível e em alguns casos conseguiram mudar sua própria realidade de pobreza extrema, através do trabalho com recicláveis.

Em algumas cidades do país, o governo municipal, reconhecendo sua incapacidade ou sua falta de recursos para enfrentar o problema do lixo, se aliaram aos catadores de papel para poder capacita-los e dar a eles um mínimo de infra-estrutura de forma que possam exercer o papel de agentes de limpeza urbana, melhorando assim a relação simbiótica que estes elementos tem para com a cidade.

Um exemplo disso é Belo Horizonte com a entidade chamada ASMARE, cujo lema é Reciclando Vidas, ela começou através da pastoral da rua da igreja católica e depois conseguiu apoio da prefeitura o que fez esse movimento decolar e realmente poder mudar vidas, além de deixar a cidade mais limpa e ecologicamente correta com sua ação.

A ASMARE é uma associação que engloba ex-detentos e moradores de rua, treinados para fazer a coleta seletiva, fazer a triagem separando os resíduos e processar estes resíduos como forma de geração de renda. A prefeitura os capacitou com conteúdo sobre meio ambiente e conscientização do uso de recursos naturais. São pessoas simples em sua maioria, mas que sabem o valor monetário e também ecológico de seu trabalho, que é de suma importância para a cidade.

Existem outras iniciativas como essa, e é claro que elas ainda não dão conta de resolver 100% do problema, mas com o envolvimento cada vez maior da sociedade civil, consciente de que nossos recursos são finitos e de que se não fizermos mudanças, não vai ter planeta mais (pelo menos para as próximas gerações). Havemos de saber tomar cada decisão certa, sem simplesmente descartar nosso lixo sem  qualquer separação ou cuidado. O tempo de fazer isso já passou! A colaboração de cada um de nós vai fazer a diferença, se em alguns casos a reciclagem já está em um nível muito bom, cabe a nós estudar e verificar aqueles onde ainda não atingimos nem algo perto do desejável.

Então finalizo dizendo que tudo que escrevi corrobora com o título do artigo: A população e o programa de coleta seletiva.

Isso porque um não existe sem o outro a relação de dependência é clara! E você pretende colaborar, um pouco mais?

Summary
A população e o programa de coleta seletiva
Article Name
A população e o programa de coleta seletiva
Description
Muitas pessoas se perguntam qual é o papel que deveriam ter frente a coleta seletiva. Se recordarmos de nosso post anterior onde falamos da cor correta das lixeiras para coleta seletiva
Author
Publisher Name
Subversoft
Publisher Logo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *